Meu querido, meu velho, meu amigo

domingo, 11 de agosto de 2013
Não me lembro do ano, só me lembro do dia:Dia de Corpus Christi; e o horário: 03:00hs (da manhã), quando o telefone tocou. Era a minha irmã no telefone, dizendo para mim que o nosso pai havia falecido naquele momento. Naquele breve instante, fechei os meus olhos e me lembrei de todos os bons momentos que passamos juntos; das brincadeiras quando eu tinha 05 anos; da jangada de madeira que ele fez para mim no meu primeiro presente de dia das crianças (pois ele não tinha dinheiro para comprar um brinquedo); das partidas de futebol de botão; das cartas que ele mandava para a gente quando pela Marinha, tinha que viajar e ficava fora de casa mais de um mês; do apelido que ele me chamava:"Fofudo"; da cara dele de alegria quando me formei em direito; das explicações que ele me dava quando o nosso "Mengo" dava mole; da maneira de apaziguar as situações ruins; dos seus exemplos de luta. Lembrei que ele havia mudado, estava sendo um homem orante e enquanto estava internado, orávamos pelos enfermos naquele andar. Então abri os olhos, levantei os meus braços e LEVANTEI UM LOUVOR com todo o meu amor para Deus, pois o meu pai Geraldo (que eu chamava de Gegê), não havia passado aqui nesta terra em vão; ele havia visto os filhos de seus filhos e em relação a mim, se ele não pôde ter visto o meu filho, viu o quanto eu o amei e o acompanhei até nos seus últimos dias, quando eu cuidei dele, orando com ele, cortando o seu cabelo e o ajudando nas suas necessidades. Pretendo ser um dia, um exemplo para o meu filho ou para alguém que possa considerar como filho, para que um dia, essa pessoa fale como um dia eu falei: "Eu te amo, meu querido, meu velho, meu amigo. Eu sou Alexandre tadeu, e esse é o meu testemunho. Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo Roberto Carlos Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo... E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo, Já correram tanto na vida, Meu querido, meu velho, meu amigo Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo, Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento... Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo Me calando fundo na alma Meu querido, meu velho, meu amigo Seu passado vive presente nas experiências Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida. Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina, Beijo suas mãos e lhe digo Meu querido, meu velho, meu amigo Eu já lhe falei de tudo, Mas tudo isso é pouco Diante do que sinto... Olhando seus cabelos, tão bonitos, Beijo suas mãos e digo Meu querido, meu velho, meu amigo